História

Eldorado do Carajás é um Município do Sudeste Paraense que ficou conhecido mundialmente com fato ocorrido na “Curva do “S denominado de Massacre de Eldorado no dia 17/04/1996, onde 19 trabalhadores Rurais Sem Terra foram mortos em um confronto com a Polícia Militar do Pará para desobstrução da Rodovia PA 150 (hoje BR 155). Por determinação do Governado da época Almir Gabriel.

1ª ocupação: 02/05/1980
Elevação a categoria de Distrito de Marabá: 1987
Instalação de Subprefeitura em 1989
Emancipação: 28/04/1991 – Plebiscito
Criação: 13/12/1991 – Lei Estadual 5.687/91
Unidade Federativa: Pará
Mesorregião: Sudeste Paraense – IBGE/2008
Microrregião: Parauapebas – IBGE/2008
População Estimada: 32.664 habitantes – IBGE/2016
Ponto Mais Elevado: 400 m – CPRM/1998
Ponto Menos Elevado: 120 m – CPRM/1998
Clima: Tropical Semiumido – (Aw/As)
IDH-M: 0,56 – Baixo – IBGE/2016
PIB: R$=271.290,34 – IBGE/2014
PIB – Per Capita: R$=8.336,11 – IBGE 2014
Densidade Populacional: 11,05 hab/Km2 – IBGE/2016

Etmologia

O nome Eldorado foi escolhido por representar o boom mineral que a região onde está localizado o município vivenciava nos primeiros anos de sua formação. Se relaciona com a antiga lenda narrada pelos índios aos espanhóis na época da colonização das Améri-cas. Falava de uma cidade cujas construções seriam todas feitas de ouro maciço e cujos tesouros existiriam em quantidades inimagináveis. O imaginário popular dos primeiros ha-bitantes de Eldorado do Carajás refletia a busca pela “cidade perdida” e pelas “montanhas de ouro”. O termo Eldorado (El Dorado em castelhano) significa “O Homem Dourado”.

O complemento ao primeiro nome “Carajás” existe em função da proximidade do Município com o grande complexo geológico regional: a “Serra dos Carajás”. A influência dos projetos mineralógicos desenvolvidos no maciço da Serra dos Carajás acabou se inserindo no próprio nome do Município. O termo Carajás (Karajá em Jê), “Kara” brilhante e “Já” céu, significa basicamente “estrela”.

História

Eldorado do Carajás, assim como praticamente todos os municípios da região Sul do Pará, teve sua origem ligada aos grandes projetos minerais. Desde o início da década de 1970 a região de Eldorado vivencia o Projeto Grande Carajás que previu desde a instalação de uma infraestrutura para extração do minério da Província Mineral do Carajás, a alojamento de pessoal, condições logísticas, indústria de beneficiamento mineral, matriz energética, infraestrutura urbana e comercial, e cadeia produtiva local para abastecimento do projeto.

Eldorado portanto, se inseria nesta última categoria do projeto, pois além de cumprir com um dos grandes objetivos do governo militar, que era “promover a ocupação de vazios demográficos”, também permitia a instalação de uma colonização de caráter agrícola que viria resolver dois problemas cruciais: migração da mão-de-obra e a produção local. Portanto a colonização da Gleba Abaeté oferecia todas as condições para que pudesse ser realizada com êxito.

Colonização

Eldorado do Carajás, originou-se de um empreendimento particular, a Fazenda/Gleba Abaeté, de propriedade de Geraldo Mendonça. O empreendimento foi implantado dentro das terras do município de Marabá. Os primeiros colonos da Gleba Abaeté foram Manoel Alves da Costa que se instalou no local em 02 de maio de 1980, logo depois chegando José Leandro e Cícero Tiago da Silva, todos com suas respectivas famílias. Outros colonos chegaram ao local atraídos pela implantação do Projeto Carajás e, posteriormente pelo advento do garimpo de Serra Pelada. O somatório desses fatores e o consequente desenvolvimento que eles trouxeram para o empreendimento, contribuíram apara que ele se transformasse numas das localidades mais importantes do município de Marabá, passando a ser conhecida já pelo nome de Eldorado do Carajás.

Conforme novos colonos chegavam, a importância da localidade de Eldorado do Carajás, crescia. Em 1987 Eldorado foi elevado à categoria de distrito do município de Marabá, que permitiu a instalação de uma subprefeitura em 1989, já como município de Curionópolis. Nesse período ocorreu o grande boom populacional local, graças principalmente ao florescer das atividades de extração de madeira e criação de bovinos para corte e leite.

Houve também em Eldorado um acontecimento único no Brasil, posto que por lei é proibida a extração de castanheiras (Bertholletia excelsa) e em 18/05/94 foi criada a ASSI-MEC – Associação das Indústrias Madeireiras de Eldorado do Carajás, que efetuou um levantamento das castanheiras mortas e desvitalizadas na região conhecida como Polígo-no dos Castanhais e em tal levantamento foi constatado que existiam milhares de árvores nessa condição em função, tanto de criação de pastagens para gado como para acampamento colonos da Reforma Agrária. Como o estudo apresentava seriedade e o prejuízo, tanto ecológico quanto financeira seria enorme, o IBAMA resolveu editar a Portaria 108/97 que autorizava em caráter piloto e experimental unicamente a ASSIMEC, a utilização, o processamento e a comercialização, para qualquer finalidade, exceto para exportação de castanheiras mortas e desvitalizadas, ficando determinado que para cada árvore retirada seriam plantadas seis, preferencialmente nas áreas de assentamentos da Reforma Agrá-ria.

Acontece que por questões políticas nunca foi possível obter autorização do INCRA para acesso nos acampamentos e por essa razão a ASSIMEC foi obrigada a comprar áreas para efetuar a reposição autorizada e isso tornou o projeto inviável a longo prazo.

Durante o tempo de atuação da ASSIMEC foram produzidas 185.000 mudas de castanheiras e plantadas 119.000, tanto em áreas de propriedade da Associação quanto de alguns filiados. Foram gerados aproximadamente 1.800 empregos diretos e 2.400 indiretos, além de uma receita para o Eldorado de mais de R$=1.800.000,00 em impostos durante os 05 anos em que foi possível desenvolver o projeto que foi fiscalizado e aprovado pelo IBAMA.

Emancipação

Quando Marabá teve sua área territorial desmembrada para constituir o município de Curionópolis, segundo a Lei nº 5.444, de 10 de maio de 1988, havia uma expectativa e interesse muito grande da população local que a sede do novo município fosse instalada em Eldorado dos Carajás. Por razões técnicas diversas Eldorado perdeu o pleito para Curionópolis, pois a urbe adversária se encontrava melhor assistida de infraestrutura e estava geograficamente mais ao centro do município e próxima das áreas mineradoras.

A primeira mobilização popular para emancipação de Eldorado culminou com a elaboração de um abaixo-assinado pela impugnação do desmembramento de Curionópolis, uma vez que também haviam demandas contra a desvinculação da localidade de Eldorado daquele município, caso o primeiro viesse a ganhar autonomia municipal.

Os trâmites legais para a emancipação de Eldorado dos Carajás iniciaram-se no dia 18 de março de 1987, pelo ofício 05/87, do deputado Geovanni Queiroz ao presidente da Assembléia Legislativa, deputado Mariuadir Santos, encaminhando o abaixo-assinado dos eleitores residentes e domiciliados no então povoado de Eldorado, requerendo a instalação do processo de emancipação político-administrativa. Cumpridas as formalidades legais, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) fixou a data do plebiscito, que foi realizado no dia 28 de abril de 1991, oportunidade em que a população se manifestou favorável ao desmembramento da localidade de Eldorado do município de Curionópolis. Do total de 1.415 eleitores que compareceram ao pleito eleitoral, 1.323 votaram sim e 30 votaram não, além de 58 votos em branco e 4 nulos. Pela Lei nº 5.687, estatuída pela Assembléia Legislativa do Estado do Pará e sancionada pelo Governador Jáder Barbalho, no dia 13 de dezembro de 1991, foi criado o município de Eldorado dos Carajás, com área desmembrada do município de Curionópolis.

Quando marabá teve sua área territorial desmembrada para constituir o Município de Curionópolis, segundo a Lei 5.444, de 10 de maio de 1988, havia uma expectativa mui-to grande da população que a sede do novo município fosse instalada em Eldorado do Carajás. Por razões técnicas diversas Eldorado perdeu o pleito para Curionópolis, pois a urbe adversária se encontrava melhor assistida de infraestrutura e estava geograficamente mais ao centro do município e próxima das áreas mineradoras.

A primeira mobilização popular para emancipação de Eldorado culminou com a ela-boração de um abaixo assinado pela impugnação do desmembramento de Curionópolis, uma vez que também havia demandas contra a desvinculação da localidade de Eldorado daquele município, caso o primeiro viesse a ganhar autonomia municipal.
Os trâmites legais para emancipação de Eldorado do Carajás iniciaram-se no dia 18/03/1987, pelo ofício n° 05/87, do Deputado Giovanni Queiroz ao Presidente da Assembleia Legislativa, Deputado Mariuadir Santos, encaminhando o abaixo assinado dos elei-tores residentes e domiciliados no então povoado de Eldorado, requerendo a instalação do processo de emancipação político-administrativa.

Cumpridas as formalidades legais, o TER/PA fixou a data do plebiscito, que foi rea-lizado no dia 28/04/91, oportunidade em que a população se manifestou favorável ao desmembramento da localidade de Eldorado do Município de Curionópolis. Do total de 1.415 eleitores que compareceram ao pleito eleitoral, 1.323 votaram sim e 30 votaram não, além de 58 votos em branco e 04 nulos. Pela Lei 5.687, estatuída pela Assembleia Legislativa do Estado do Pará e sancionada pelo Governador Jáder Fontenelle Barbalho, no dia 13/12/91, foi criado o município de Eldorado do Carajás, com área desmembrada do Município de Curionópolis.

O Massacre

Em 17/04/96, em meio às tensões agrárias desencadeadas pela coordenação de-sordenada do processo de Reforma Agrária pelo Estado Brasileiro e pela concentração de terrar e riquezas nas mãos de poucos (formação de grandes latifúndios) no Sudeste do Pará, herança negativa desde os tempos das Capitanias Hereditárias, aconteceu o fato mais inglório da história de Eldorado.
Alguns dias antes um grupo de Trabalhadores Rurais Sem Terra resolveu fazer uma marcha de Parauapebas até a Sede do INCRA em Marabá para pressionar o órgão pela agilização da regularização de áreas para assentamento dos mesmos, Conforme a marcha prosseguia rumo a seu destino mais adeptos se juntavam e em Curionópolis houve uma manifestação bastante acirrada com interrupção da estrada. Logo em seguida chegaram em Eldorado já em torno de três mil manifestantes, e na localidade conhecida como “Curva do S” na Antiga Rodovia PA 150, hoje BR 155, onde existe um ramal que dá acesso ao Município de Piçarras e outras localidades próximas, resolveram novamente interditar a estrada mais uma vez em protesto contra o processo de reintegração de posse de uma propriedade de uma propriedade próxima ao local. A interdição causou sérios transtornos tanto para Eldorado quanto para outros Municípios e aí o Governador Almir Gabriel, autori-zou que fosse usada a força da polícia para desobstrução da estrada, e foram deslocadas tropas da Polícia Militar de Marabá e Parauapebas em número superior a pouco mais de uma centena de policiais. A operação foi mal planejada e os manifestantes ficaram encur-ralados e houveram alguns disparos por parte dos mesmo, fazendo com que a Polícia rea-gisse de maneira desastrosa, e esse incidente causou a morte de 19 Sem Terra. Diga-se que esse episódio foi gravado e mostrado na televisão para o mundo inteiro, e até hoje é exibido como um ato de extrema violência contra Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Geografia

O Município de Eldorado do Carajás, localizado na mesorregião do Sudeste Paraense e na Microrregião de Parauapebas, teve sua área desmembrada do Município de Curionópolis, pela Lei Estadual 5.687/91, de 13/12/1991. Possui uma área territorial de 2.969,50 Km2 e uma população estimada de 32.892 habitantes, segundo o IBGE/2016, o que lhe confere uma densidade demográfica de 11,05 hab/Km2. Limita-se ao Norte com o município de Marabá, ao Sul com o Município de Xinguara, a Leste com os municípios de São Geraldo do Araguaia e Piçarra e a Oeste com o Município de Curionópolis. Possui as seguintes coordenadas: 06006’16” de latitude sul e 49021’48” de latitude oeste de Greenwich. O clima do município está inserido na categoria AS. Possui uma temperatura anual média de 26,30C, apresentando média máxima em torno de 32,00C e mínima de 22,70C. A umidade relativa é elevada, sendo a média real de 78%. O período chuvoso ocor-re nitidamente de novembro a maio e o mais seco de junho a outubro, estando o índice pluviométrico anual em torno de 2.000 mm3. Os solos predominantes no município são o podzoico vermelho-amarelo, litóficos, cambissolosos e latossolo vermelho-amarelo. Ocorrem ainda solos litóficos e afloramentos rochosos em associação. O relevo mostra-se relativamente movimentado, com a presença de chapadas em áreas sedimentares, pediplanos em áreas cristalinas, baixos terraços e várzeas. A vegetação é formada por floresta em re-levo aplanado e em relevo acidentado, floresta aberta mista e floresta aberta latifoliada. Nas áreas desmatadas foram plantadas pastagens destinadas a atividade pecuária, e ao longo das margens dos rios e ribeirões encontram-se pequenas faixas de floresta de gale-ria. Destacam-se na hidrografia do municípios os médios cursos dos rios Vermelho e Soro-ró, considerados afluentes do Itacaiúnas pela margem direita.

Colaboração: Raimundo Nonato da Conceição