História

Eldorado dos Carajás é um município brasileiro do estado do Pará. Sua população estimada em 2011 era de 31.953 habitantes. A cidade é famosa pelo massacre que ocorreu em 1996, quando 19 sem-terra foram assassinados por tropas da Polícia Militar do Estado do Pará.

Etmologia

O nome Eldorado foi escolhido por representar o boom mineral que a região onde está o município vivenciava nos primeiros anos de sua formação. Se relaciona com a antiga lenda narrada pelos índios aos espanhóis na época da colonização das Américas. Falava de uma cidade cujas construções seriam todas feitas de ouro maciço e cujos tesouros existiriam em quantidades inimagináveis. O imaginário popular dos primeiros habitantes de Eldorado dos Carajás refletia a busca pela “cidade perdida” pelas “montanhas de ouro”. O termo Eldorado (El Dorado em castelhano) significa “O homem dourado”.

O complemento ao primeiro nome, “Carajás”, existe em função da proximidade do município com o grande complexo geológico regional: a Serra dos Carajás. A influência dos projetos mineralógicos desenvolvidos no maciço da Serra dos Carajás acabou se encerrando no próprio nome do município. O termo Carajás (Karajá em Jê), “Kara” brilhante e “Já” céu, significa basicamente “estrela”.

História

Eldorado dos Carajás, assim com praticamente toda a região Sul do Pará teve sua origem ligada aos grandes projetos minerários locais. Desde o início da década de 1970 a região de Eldorado vivencia o Projeto Grande Carajás que previa desde a instalação de uma infraestrutura para extração do minério da Província Mineral do Carajás, a alojamento do pessoal, condições logísticas, indústrias de beneficiamento mineral, matriz energética, infraestrutura urbana e comercial, e cadeia produtiva local para abastecimento do projeto. Eldorado portanto, se inseria nesta última categoria do projeto, pois além de cumprir com um dos grandes objetivos do governo militar que era “promover a ocupação de vazios demográficos”, também permitia a instalação de uma colonização de caráter agrícola que viria resolver dois problemas cruciais: migração da mão-de-obra e a produção local. Portanto a colonização da Gleba Abaeté oferecia todas as condições para que pudesse ser realizada com êxito.

Colonização

Eldorado dos Carajás originou-se de um empreendimento particular – Fazenda/Gleba Abaeté, tendo como proprietário Geraldo Mendonça e implantado dentro das terras do município de Marabá. Os primeiros colonos da Gleba Abaeté foram Manoel Alves da Costa que se instalou no local em 2 de maio de 1980, José Leandro e Cícero Tiago da Silva todos com suas respectivas famílias. Outros colonos chegaram ao local atraídos pela implantação do Projeto Grande Carajás e, posteriormente, pelo advento do garimpo de Serra Pelada. O somatório desses fatores e o conseqüente desenvolvimento que eles trouxeram para o empreendimento, contribuíram para que ele se transformasse numa das localidades mais importantes do município de Marabá, passando a ser conhecida já com o nome de Eldorado dos Carajás.

Conforme novos colonos chegavam, a importância da localidade de Eldorado dos Carajás crescia. Em 1987 Eldorado foi elevado a categoria de distrito do município de Marabá, que permitiu a instalação de uma subprefeitura em 1989 já como município de Curionópolis. Neste período também ocorreu o primeiro grande boom populacional local, graças principalmente ao florescer das atividades de extração madeireira e criação de bovinos para corte e leite.

Emancipação

Quando Marabá teve sua área territorial desmembrada para constituir o município de Curionópolis, segundo a Lei nº 5.444, de 10 de maio de 1988, havia uma expectativa e interesse muito grande da população local que a sede do novo município fosse instalada em Eldorado dos Carajás. Por razões técnicas diversas Eldorado perdeu o pleito para Curionópolis, pois a urbe adversária se encontrava melhor assistida de infraestrutura e estava geograficamente mais ao centro do município e próxima das áreas mineradoras.

A primeira mobilização popular para emancipação de Eldorado culminou com a elaboração de um abaixo-assinado pela impugnação do desmembramento de Curionópolis, uma vez que também haviam demandas contra a desvinculação da localidade de Eldorado daquele município, caso o primeiro viesse a ganhar autonomia municipal.

Os trâmites legais para a emancipação de Eldorado dos Carajás iniciaram-se no dia 18 de março de 1987, pelo ofício 05/87, do deputado Geovanni Queiroz ao presidente da Assembléia Legislativa, deputado Mariuadir Santos, encaminhando o abaixo-assinado dos eleitores residentes e domiciliados no então povoado de Eldorado, requerendo a instalação do processo de emancipação político-administrativa. Cumpridas as formalidades legais, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) fixou a data do plebiscito, que foi realizado no dia 28 de abril de 1991, oportunidade em que a população se manifestou favorável ao desmembramento da localidade de Eldorado do município de Curionópolis. Do total de 1.415 eleitores que compareceram ao pleito eleitoral, 1.323 votaram sim e 30 votaram não, além de 58 votos em branco e 4 nulos. Pela Lei nº 5.687, estatuída pela Assembléia Legislativa do Estado do Pará e sancionada pelo Governador Jáder Barbalho, no dia 13 de dezembro de 1991, foi criado o município de Eldorado dos Carajás, com área desmembrada do município de Curionópolis.